quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Deus e o barbeiro

Um homem foi a uma barbearia cortar o seu cabelo, e iniciou um diálogo com a pessoa que o atendeu. Rapidamente começaram a falar sobre tema de Deus. O barbeiro diz:

- Eu não acredito que Deus exista, como você disse.

- Porque você está dizendo isto? Pergunta o cliente.

- É muito fácil, ao sair para na rua nós percebemos que Deus não existe. Diga-me, se por acaso Deus existisse, haveria tantos doentes? Haveria meninos abandonados? Com certeza se Deus existisse, não haveria sofrimento nem tanta dor para a humanidade. Não posso pensar que exista um Deus que permita todas estas coisas.

O cliente calou-se pensando, e não quis responder para evitar uma discussão. Ao terminar o corte de cabelo, o cliente saíu do estabelecimento e viu um homem com a barba e o cabelo comprido na rua. Entrou novamente na barberia e disse ao barbeiro:

- Sabe de uma coisa? Os barbeiros não existem.

- Como? Claro que existe, eu sou um não sou?

- Não...! - diz o cliente, - não existem, se existissem não haveria pessoas com o pelos e barba tão grandes como a desse homem.

- Os barbeiros existem, essas pessoas é que não veem a mim.

Exato...! disse o cliente. Esse é o ponto. Deus existe, o que se passa é que as pessoas não vão até Ele, não O procuram, por isso há tanta dor e miséria.

E o barbeiro calou-se pensando...

1 comentários:

  1. A estória acima se baseia no seguinte raciocínio:

    A afirmação (1): “Se há mal e sofrimento no mundo, não há Deus” é comparada a afirmação (2):“ se há pessoas cabeludas e barbudas, não há barbeiros”; porém se é verdade que há pessoas cabeludas e barbudas no mundo, e há barbeiros, então, por comparação, a primeira afirmação, sobre Deus, está errada também, já que assim como a existência de pessoas cabeludas e barbudas não implica na não-existência de barbeiros, a existência do mal e do sofrimento no mundo não implica também na não-existência de Deus, logo, por comparação, existe, sim, Deus.

    É obvio que sua simplicidade é logo de cara um grande atrativo, e que também seduz por sua forma poética, mas o problema é que esta simplicidade não trata a questão como deve ser tratada, pois as afirmações (1) e (2) não são de modo algum semelhantes, EXIGÊNCIA IMPRESCINDÍVEL para que a estória tenha coerência, pois todos irão concordar comigo que existe infinita diferenças entre um barbeiro e Deus; que também há uma enorme diferença em como chegamos à ideia de Deus e de um barbeiro: a ideia de Deus (ser infinito, infinitamente bondoso, todo-poderoso, infinitamente sábio, etc.) alcançamos por meio de uma religião (entre milhares de religiões, com deuses de todos os tipos) enquanto a simples ideia de barbeiro chegamos à ela por meio da experiência direta; o barbeiro, é um ser finito, enquanto Deus é um ser infinito, e etc. Além disso, podemos conceber, sem nenhum problema, pessoas que queiram usar cabelos e barbas longas, mas não podemos conceber que o mundo possa escolher ser ou não criado por um Deus. Portanto, A ESTÓRIA É FALHA E ENGANOSA, já que a base dela é comparar, equiparar, o barbeiro a Deus, afirmando que o mesmo efeito possui causas similares, levando-nos a entendermos, sem dúvida de modo intencional, que o que cabe a um cabe a outro: se o barbeiro existe independente de haver ou não pessoas barbudas e cabeludas, então Deus também existe independente de haver ou não o mal e o sofrimento no mundo; mas vimos que há infinitas diferenças entre um e outro, o que é permitido a um não é a outro; ademais, sendo o barbeiro finito e simples e conhecendo sua existência diretamente, torna-se muito mais provável a existência de um barbeiro do que de um Deus com toda sua complexidade. Além disso, a estória depende de Deus ser de fato bom, o que deveria ser demonstrado antes.

    MORAL DA ESTÓRIA: no fundo a comparação entre Deus e o barbeiro, além de ser erronia, é ofensiva a Deus, já que não apenas iguala Deus ao barbeiro, como aqueles que vão até ao barbeiro para terem os cabelos e as barbas cortadas vão somente mediante pagamento (por isso que existe mendigos barbudos e cabeludos); o que contradiz com a ideia de um Deus bonzinho.

    FONTE: CEREBRAU.COM.BR: UM SITE DE FILOSOFIA E LITERATURA DE TERROR.

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